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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Escrever, um ofício.

A escrita sempre foi, em minha vida, um meio de comunicação especial. Considerava tão bonito o desenho das palavras feitos pela caneta, as curvas, as ideias que se encaixavam muito melhor depois de colocadas no papel. Tenho um grande gosto por escrever, apesar de muito menos tempo. Com os anos, fui percebendo que a tarefa chata de copiar várias laudas de matéria em sala de aula, ou as muitas redações e sínteses de conteúdos que se acumulavam por entre os bimestres me ensinaram muito mais do que ter uma letra bem contornada ou notas altas. Enquanto eu escrevia, eu tinha tempo de pensar, de imaginar novas perspectivas, de moldar novos caminhos. Até hoje é assim: eu escrevo uma coisa, e já outras coisas aparecem, como uma fila de espera, prontas para o próximo brainstorming.
Quando eu era mais nova, naquela idade maravilhosa dos dinossauros na Terra, comecei a escrever histórias com finais alternativos para os livros e filmes que eu gostava - o que descobri ser, mais tarde, o gênero fanfic -, escrevia poesias e várias outras coisas. Lembro que quando comecei meu diário, melhorei muito a minha qualidade de fala, porque desenvolvia o raciocínio crítico enquanto relatava meu cotidiano e o refletia depois, enquanto lia e editava o que tinha escrito. A vontade de ser escritora existia desde minha alfabetização, aos 3 anos, mas eu não queria ser uma escritora qualquer. Eu sonhava em ser como os grandes autores de clássicos, não em questão de fama, mas de qualidade de produção mesmo. Essa minha obsessão pela qualidade, além de me trazer a amiga gastrite, também me trouxe a profissão: sou revisora e editora de textos, e pretendo ser um dia crítica de artes. Essa mesma vocação crítica me faz ser um pouco chata com o ambiente atual de produção escrita.
Sou frequentadora assídua de blogs, principalmente de cultura e femininos, e fico feliz com o amplo espaço dado a muitos que desejam se aventurar o reino das palavras. Porém, o meio de coisa boa vemos também muita coisa ruim. Todos têm o direito de escrever o que quiser e ter reconhecimento por isso, mas se torna cada dia mais raro aparecer algo novo e de qualidade o mercado, principalmente juvenil. Todos os dias temos em nossas prateleiras e computadores novas sagas, livros de crônicas adolescentes, blogs mil, mas sempre dentro da mesma categoria e estilo, quase como um uniforme. Parecem todos cópias uns dos outros; se mostram em nome de uma dita "erudição" aos olhos da sociedade, mas não existe realmente algo animador, algo rebelde, que suscite vontades. Não vivi para ver muitos gênios em sua formação, mas sinto falta de algo assim, de novas ideias, de adequação a ser fora de padrão.
Comentava esses dias com uma amiga: há muito não me sinto realmente movida por algo que leio, realmente identificada. Talvez por ter crescido, talvez por ler em menos, talvez por cansaço; a realidade é dura. E eu mesma me encaixo nessa perspectiva: também não sou capaz de escrever algo que eu queira ler, e não aprovo a qualidade do que produzo. São tempos difíceis para os escritores, para os leitores, os apreciadores do reino da linguagem.

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